Pouca gente sabe disso, mas antes de entrar de cabeça no mundo das apostas, eu passei um tempo em Viena. Foi logo depois de terminar a escola, antes de ir pra Inglaterra fazer faculdade. Enquanto muita gente tirava um ano sabático pra viajar ou descansar, eu fui trabalhar… na construção civil.
O trampo? Nada glamuroso. Eu tava num canteiro de obras nos arredores de Viena, ajudando a erguer prédios ecológicos. Era pesado. O frio no inverno doía nos ossos, e o calor no verão parecia castigo. Mas foi ali, no meio do concreto e do barulho de martelo, que nasceu um hábito que mudou minha vida.
Correr não tava nos planos – mas virou ritual
Nos primeiros meses, meu corpo vivia destruído. Subir andaime, carregar material, pegar metrô cedo… era puxado. Mas, com o tempo, percebi que o que mais pesava não era o corpo – era a mente.
Eu chegava em casa exausto. Desligava tudo, comia qualquer coisa, e capotava. Até que um dia, um austríaco gente fina virou pra mim e falou:
Cara, você já tentou correr? Isso muda tudo.
Dei risada na hora. Correr? No frio? Com o corpo todo dolorido depois de oito horas no batente?
Mas a frase ficou na cabeça. Uma semana depois, vesti um moletom surrado, amarrei o tênis e fui. Só pra ver como era.
Os primeiros passos: feios, doloridos, mas necessários
Foi um desastre. Dei meia volta no quarteirão e achei que ia morrer. O ar gelado rasgava o peito, e as pernas pareciam feitas de concreto. Mas, pela primeira vez em muito tempo, eu tinha feito algo só pra mim.
Voltei pra casa com o rosto vermelho e tremendo… mas com a mente leve.
No dia seguinte, fui de novo. E depois mais uma vez. Em pouco tempo, correr virou meu respiro. Era ali que eu botava os pensamentos no lugar, organizava ideias, e me reconectava.
Mais do que esporte – uma estratégia de vida
Com o tempo, percebi que correr e apostar tinham tudo a ver: consistência, foco, disciplina.
Ninguém vence uma maratona no primeiro treino. Assim como nas apostas, não é sobre acertar tudo – é sobre fazer o certo, todo dia.
Comecei a ouvir podcasts enquanto corria. Um deles dizia:
Seu corpo só vai até onde sua mente permite.
E isso me marcou. Porque vejo isso todos os dias no mundo das apostas: quem perde a cabeça, perde o controle. Quem treina a mente, vai mais longe.
O ritual que carrego até hoje
Hoje em dia, mesmo com a rotina maluca, continuo correndo. Nem sempre todo dia – mas sempre que preciso organizar as ideias.
É minha forma de “resetar”. De lembrar de onde vim. De me desligar do barulho do mundo e voltar pro meu eixo.
Sempre que alguém me pergunta como começar a mudar de vida, minha resposta é simples:
Amarra o tênis e vai.
Não precisa ser bonito. Nem rápido. Só precisa ser o primeiro passo.
Se esse texto te inspirou, manda pra alguém que tá precisando de um empurrão.
E se você tá esperando o momento certo pra mudar alguma coisa… talvez ele tenha acabado de chegar.
Tamo junto,
João






